![]() |
| Trens da Linha 6-Laranja |
Projeto reúne R$ 19 bilhões em investimentos, mais de 11 mil empregos diretos e túneis escavados por tatuzões de 2 mil toneladas
A Linha 6-Laranja de metrô entra em uma nova fase nesta semana com a inauguração do primeiro trecho da maior obra de mobilidade urbana em implantação na América Latina. O projeto, realizado em parceria público-privada, representa um dos maiores investimentos já realizados no transporte público de São Paulo, com R$ 19 bilhões destinados à construção da nova ligação metroviária.
Quando estiver totalmente concluída, a Linha 6-Laranja terá 15,3 quilômetros de extensão, 15 estações, 22 trens e capacidade para transportar aproximadamente 633 mil passageiros por dia, conectando a região de Brasilândia, na Zona Norte, até São Joaquim, no Centro da capital.
Nesta primeira etapa, serão entregues seis estações, no trecho entre João Paulo I e Perdizes. A operação inicial será gratuita para os passageiros.
A Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo terá algumas das estações mais profundas da América Latina, com estruturas construídas em grandes profundidades devido às características do projeto e do terreno da região.
A estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado será a mais profunda da linha, com 65,71 metros de profundidade. Na sequência aparecem Higienópolis-Mackenzie, com 64,86 metros, e Bela Vista, com 60,68 metros.
Confira a profundidade das estações da Linha 6-Laranja:
Itaberaba-Hospital Vila Penteado: 65,71 metros
Higienópolis-Mackenzie: 64,86 metros
Bela Vista: 60,68 metros
PUC-Cardoso de Almeida: 60,51 metros
São Joaquim: 52,08 metros
Água Branca: 47,80 metros
FAAP-Pacaembu: 45,71 metros
Investimentos e retomada das obras
A construção da Linha 6-Laranja recebeu investimento total de R$ 19 bilhões. O projeto passou por uma paralisação em 2016 e teve as obras retomadas em 2020 com uma nova concessionária responsável pela implantação da linha.
Durante o período de construção, a obra gerou mais de 11 mil empregos diretos, movimentando diferentes áreas profissionais, como engenharia, operação de máquinas, manutenção, segurança e serviços especializados.
Em 2025, um dos principais marcos da obra foi alcançado: a conclusão da escavação dos túneis e a entrega do primeiro trem destinado à operação da linha.
Mais rapidez nos deslocamentos
A Linha 6-Laranja foi planejada para transformar a mobilidade entre a Zona Norte e o Centro de São Paulo. Atualmente, o trajeto entre Brasilândia e São Joaquim pode levar cerca de 1h30 utilizando ônibus.
Com a operação completa da nova linha, esse deslocamento deverá ser reduzido para aproximadamente 23 minutos, proporcionando mais agilidade aos passageiros e contribuindo para a redução do trânsito e da emissão de poluentes.
Ao todo, serão 15 estações distribuídas ao longo de 15,3 quilômetros de extensão. Nesta primeira fase, seis estações serão abertas ao público, enquanto a operação completa será implantada gradualmente.
Tecnologia dos tatuzões
Uma das grandes marcas da construção da Linha 6-Laranja foi o uso de duas tuneladoras, equipamentos conhecidos popularmente como “tatuzões”.
As máquinas são responsáveis por escavar o solo e instalar, ao mesmo tempo, o revestimento estrutural dos túneis por onde os trens irão circular.
Um dos equipamentos recebeu o nome de Maria Leopoldina, em homenagem à imperatriz do Brasil durante o período da Independência. O tatuzão tinha 2 mil toneladas, 109 metros de comprimento e 10,6 metros de diâmetro de escavação.
A máquina contava com estrutura semelhante a uma pequena operação subterrânea, incluindo cabine de comando, esteira para retirada do material escavado, refeitório e cabine de enfermagem.
O Tatuzão Sul percorreu aproximadamente 8,9 quilômetros desde a região da Marginal Tietê até a Estação São Joaquim, concluindo a escavação do trecho sul da linha em fevereiro de 2025.
Em outubro de 2024, o equipamento estabeleceu um recorde ao escavar 41,3 metros em apenas 24 horas.
Dos aproximadamente 15 quilômetros de via da Linha 6-Laranja, cerca de 13 quilômetros foram construídos utilizando os tatuzões. Outros métodos também foram aplicados, como o NATM (Novo Método Austríaco de Tunelamento) e a vala a céu aberto.
A operação dos equipamentos envolveu cerca de 50 profissionais divididos em três turnos de trabalho, incluindo operadores, técnicos de manutenção mecânica e elétrica, engenheiros, agrimensores e equipes de saúde e segurança.
Nova frota de trens
A Linha 6-Laranja contará com uma frota formada por 22 trens. Cada composição terá capacidade para transportar até 2.044 passageiros e poderá alcançar velocidade máxima de 90 km/h.
Durante a operação comercial, a velocidade prevista será de até 80 km/h, garantindo maior rapidez nos deslocamentos dos passageiros.
Estações mais profundas do metrô
A nova linha também contará com algumas das estações mais profundas do metrô de São Paulo.
Neste primeiro trecho, a Estação Água Branca será a mais profunda em operação, com 47,8 metros de profundidade, superando a Estação Santa Cruz, da Linha 5-Lilás.
Com a conclusão de toda a linha, a Estação Itaberaba-Hospital Vila Penteado será a mais profunda da rede metroviária paulista, com aproximadamente 65 metros de profundidade.
Operação assistida
O primeiro trecho da Linha 6-Laranja será inaugurado em operação assistida, ligando as estações João Paulo I e Perdizes.
Nesta fase inicial, o funcionamento será de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, sem cobrança de tarifa.
A operação contará com um trem em cada via e intervalo estimado de 13 minutos entre as composições, permitindo ajustes e acompanhamento técnico antes da ampliação do funcionamento da linha.




