A implantação da tarifa zero no transporte público coletivo aos sábados, domingos e feriados em todo o Brasil pode custar cerca de R$ 20,8 bilhões por ano, segundo estimativa da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU). O cálculo considera os custos atuais de operação de ônibus urbanos, trens e metrôs, além de um aumento médio de 20% na demanda de passageiros.
A proposta foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na quinta-feira (15). A intenção é encaminhar ao Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para instituir a gratuidade do transporte coletivo aos fins de semana em todo o país.
Segundo a NTU, os serviços de ônibus urbanos, trens e metrôs têm um custo anual de R$ 17,3 bilhões aos fins de semana e feriados. Apenas a operação dos ônibus urbanos nesse período representa R$ 14,5 bilhões por ano.
A entidade considera a iniciativa um avanço para ampliar o acesso da população ao transporte público, especialmente das famílias de menor renda, facilitando deslocamentos para atividades de lazer, cultura, comércio e outros serviços. No entanto, defende que a gratuidade seja acompanhada de uma política permanente de financiamento para reduzir o peso das passagens no orçamento das famílias durante toda a semana.
NTU defende participação do governo federal
Para a associação, a participação sistemática da União no custeio do transporte coletivo é um dos pontos mais importantes da proposta. Atualmente, a responsabilidade pelo financiamento dos sistemas está concentrada principalmente nos municípios.
A NTU defende um modelo de financiamento compartilhado entre União, estados, municípios e iniciativa privada, com o objetivo de reduzir a pressão sobre os orçamentos municipais e garantir a sustentabilidade dos serviços.
De acordo com a entidade, cerca de 80% dos custos dos sistemas de transporte coletivo são cobertos pela arrecadação das tarifas pagas pelos passageiros. Na avaliação da associação, essa dependência limita a capacidade de investimento na melhoria da operação.
Programa prevê novas formas de financiamento
Em agosto de 2026, durante o Seminário Nacional NTU 2026, a entidade apresentou o programa Transporte para Todos, que propõe uma política permanente de financiamento do transporte coletivo baseada em três pilares:
- Modernização e ampliação do Vale-Transporte do Trabalhador.
- Criação do Vale-Transporte Social para famílias em situação de vulnerabilidade inscritas no Bolsa Família.
- Financiamento das gratuidades pelos orçamentos das políticas públicas que originam os benefícios, como educação, saúde e assistência social.
A proposta busca distribuir os custos do transporte de forma mais equilibrada entre o poder público, os empregadores e os demais beneficiários do sistema, reduzindo a dependência da arrecadação tarifária.
Fim da escala 6x1 traz desafios operacionais
A NTU também alerta para os impactos das mudanças na jornada de trabalho sobre a operação do transporte coletivo. A proposta de tarifa zero aos fins de semana foi associada pelo presidente Lula à ampliação dos dias de descanso dos trabalhadores, após a promulgação da Emenda Constitucional 141/2026, que, segundo o texto divulgado pela entidade, extingue a escala 6x1.
O setor opera continuamente, inclusive aos sábados, domingos e feriados, e já enfrenta dificuldades para contratar motoristas qualificados.
Estudos da empresa WPLEX, especializada em planejamento operacional de transporte, indicam que mudanças nos modelos de jornada podem exigir até 23% mais motoristas em determinados cenários. Levantamentos analisados pela NTU também apontam que a redução da jornada semanal para 40 horas pode elevar em aproximadamente 15% os custos relacionados aos motoristas.
Para a associação, a combinação entre o possível aumento da demanda provocado pela gratuidade e a reorganização das jornadas de trabalho exigirá recursos adicionais, planejamento operacional e um período de adaptação para evitar prejuízos à oferta e à qualidade do transporte público.
A NTU avalia que a tarifa zero aos fins de semana pode representar um primeiro passo para ampliar o acesso ao transporte, mas defende uma solução mais abrangente para garantir serviços acessíveis e financeiramente sustentáveis durante todos os dias da semana.


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