A estreia da Linha 6-Laranja de Metrô de São Paulo foi marcada pelo início da operação assistida, mas os primeiros passageiros encontraram um cenário de estações ainda em fase de conclusão. Durante o percurso entre Água Branca e Perdizes, era possível observar tapumes, materiais de construção, tubulações aparentes, cabos espalhados, escadas rolantes inoperantes, elevadores desligados, infiltrações e áreas sem acabamento.
Em nota, o Governo do Estado informou que a linha opera normalmente dentro do cronograma previsto e que a abertura das estações ocorreu após a conclusão das etapas exigidas para o início da operação, incluindo a obtenção das autorizações dos órgãos competentes, como o Corpo de Bombeiros.
A reportagem percorreu as seis estações abertas ao público e encontrou equipes trabalhando na limpeza dos ambientes enquanto passageiros aguardavam a abertura dos portões na estação Água Branca. Em diversos pontos, equipamentos utilizados durante a construção permaneciam instalados e parte da infraestrutura ainda estava exposta.
Outro ponto observado foi a integração com a Linha 7-Rubi da CPTM. Como a ligação definitiva entre as estações ainda não está pronta, os usuários precisam sair da estação ferroviária, caminhar cerca de 100 metros pela Avenida Santa Marina e acessar a estação da Linha 6-Laranja pela rua.
Também foram registradas falhas na sinalização. Na entrada da estação Água Branca, por exemplo, ainda não havia placas indicando os sentidos Brasilândia e São Joaquim. Funcionários orientavam os passageiros e utilizavam até megafone para explicar como funcionava a operação assistida.
O acesso às plataformas também apresentou limitações. Algumas escadas rolantes permaneciam desligadas ou ainda estavam incompletas. Na estação mais profunda da linha, localizada a 47,8 metros de profundidade, parte das escadas funcionava apenas para descida, obrigando os passageiros a utilizar as escadas fixas para subir.
Durante esse trajeto, a aposentada Maria de Lourdes Alvarenga, de 73 anos, chegou a tropeçar em um lance de escadas, mas conseguiu se equilibrar e seguir viagem. Apesar do susto, afirmou que a chegada do metrô representa uma valorização para a região e que aguardava pela obra havia cerca de 15 anos.
Já a cozinheira Valéria Cristina Luciano de Oliveira, de 63 anos, que utiliza muletas, avaliou que a linha foi inaugurada antes da conclusão da infraestrutura necessária para garantir acessibilidade, destacando a ausência de elevadores e escadas rolantes em funcionamento.
Ao longo das estações, a impressão de que as obras continuam foi constante. Em Santa Marina, parte do teto permanecia aberta, com estruturas metálicas aparentes e protegidas por plástico. As portas de plataforma também apresentavam falhas no fechamento.
Na estação João Paulo I, tapumes ocupavam áreas de circulação, tubulações e fios de energia permaneciam expostos e funcionários orientavam os passageiros a terem cuidado ao passar pelos cabos. Uma caixa-d'água instalada dentro da estação, além de materiais de construção e equipes de trabalho, reforçavam o aspecto de obra em andamento.
Na estação Freguesia do Ó, elevadores continuavam desligados com avisos de que seriam liberados futuramente. Algumas escadas rolantes ainda estavam protegidas por plástico e outras sequer haviam sido finalizadas.
Já na estação Sesc Pompeia, a primeira escada rolante após o desembarque permanecia parada, obrigando os passageiros a utilizarem as escadas convencionais. Também foram observados trechos do piso molhados por goteiras, sem sinalização de risco, além de materiais de construção espalhados pelo local.
Em Perdizes, a situação era semelhante, com tapumes isolando parte da estação, infiltrações nas paredes, piso encharcado e um grande canteiro de obras localizado atrás das áreas liberadas ao público.
A própria operação também apresentou restrições. Os passageiros não podiam aguardar nas plataformas e eram orientados a permanecer no piso superior até a chegada dos trens. Em alguns momentos, os intervalos chegaram a aproximadamente 20 minutos.
Apesar das limitações, muitos usuários destacaram os benefícios futuros da nova linha. O ajudante da construção civil Rodrigo Gregório da Silva, de 42 anos, afirmou acreditar que o novo ramal reduzirá significativamente o tempo de deslocamento e beneficiará milhares de pessoas quando estiver totalmente concluído.
A concessionária Linha Uni informou que a operação assistida faz parte da fase de testes em condições reais de utilização. Segundo a empresa, equipamentos e sistemas serão colocados em funcionamento de forma gradual conforme o aumento da demanda, permitindo ajustes ao longo desse período.
Até o fim do ano, a Linha 6-Laranja funcionará de segunda a sexta-feira, das 10h às 15h, sem cobrança de tarifa.
O Governo de São Paulo informou que a operação será ampliada progressivamente, priorizando a segurança dos passageiros e a validação dos sistemas. A administração estadual também afirmou que os serviços complementares ainda em execução são compatíveis com esta fase e não comprometem a segurança nem o funcionamento da linha.
Fonte: Folha de S. Paulo