Equipamento percorreu trecho sob vias da CPTM e do Metrô em apenas 30 dias, atingindo profundidade equivalente a um prédio de 20 andares
A expansão da Linha 2-Verde do Metrô de São Paulo alcançou um marco importante na manhã do dia 28 de janeiro. A maior tuneladora da América Latina, batizada de Cora Coralina e popularmente conhecida como "tatuzão", concluiu mais uma etapa da obra ao chegar ao poço de Ventilação e Saída de Emergência (VSE) Soares Neiva.
O avanço chama atenção pela velocidade. Foram apenas 30 dias de escavação desde a última partida da máquina, iniciada em 29 de dezembro, para vencer um trecho de aproximadamente 330 metros em uma das regiões mais sensíveis do subsolo da capital.
Durante o percurso, o tatuzão passou sob pontos críticos da infraestrutura ferroviária e viária de São Paulo, incluindo a Linha 3-Vermelha do Metrô, a Radial Leste e a Linha 11-Coral da CPTM. Este último foi considerado um dos trechos mais complexos da escavação e exigiu a suspensão temporária da operação ferroviária por alguns dias em dezembro, como medida de segurança.
A interrupção, no entanto, foi concluída antes do previsto. A liberação do trecho, inicialmente programada para o dia 7 de janeiro, ocorreu no dia 4, permitindo a normalização antecipada do fluxo de trens na Zona Leste.
"Antecipar o cronograma em uma obra dessa complexidade, mantendo todos os parâmetros de segurança, é uma vitória para a engenharia nacional. Cada metro avançado nos aproxima da entrega de um transporte mais digno para milhões de paulistanos", afirma Elaine Ferreira, presidente da BRZ Infra, holding da Engibras, empresa líder do Consórcio Metrô Linha 2.
Tecnologia a 60 metros do solo
A chegada ao VSE Soares Neiva também impressiona pela escala da obra. O poço possui cerca de 60 metros de profundidade, o equivalente a um edifício de aproximadamente 20 andares abaixo do nível do solo.
"A rapidez com que atingimos o VSE Soares Neiva, em exatos 30 dias de operação, demonstra a eficiência das equipes e a alta performance da tuneladora em um trecho de grande complexidade, sob linhas ativas e a Radial Leste", destaca Luis Renato Campelo, gerente de contrato do Consórcio Metrô Linha 2.
Além de escavar, o tatuzão executa simultaneamente a instalação dos anéis de concreto que formam a estrutura definitiva do túnel. Esses anéis são produzidos em uma fábrica exclusiva no Pátio Itaquera, com capacidade de entrega de até 56 segmentos por dia, garantindo o ritmo contínuo das frentes de trabalho.
A ampliação da Linha 2-Verde prevê a construção de 8,3 quilômetros de novos trilhos, conectando a Vila Prudente à Penha. O projeto, executado pelo Consórcio Metrô Linha 2 e liderado pela Engibras, deve beneficiar cerca de 1,2 milhão de passageiros por dia, além de ampliar a integração com outras linhas da rede metroferroviária.
Com investimento total de R$ 15 bilhões do Governo do Estado, a obra é considerada estratégica para a modernização da mobilidade urbana em São Paulo, contribuindo para a redução do tempo de deslocamento entre as zonas Leste e Sul da cidade
