26 de setembro de 2017

Metroviário reage a ofensas racistas e é demitido, afirma sindicato

Caso ocorreu em estação; para Metrô houve infração ao Código de Ética

O sindicato do metroviários de São Paulo apresentou um recurso administrativo, na quarta-feira (20), contra a demissão do funcionário Valter Rocha Junior, 37 anos, que ocorreu na sexta-feira (1).

O metroviário afirma que foi insultado por um usuário do Metrô, no dia 15 de agosto, enquanto trabalhava na estação Praça Árvore, na zona Sul da capital. "Ele me chamou de macaco e também fez gestos imitando um macaco e olhando para mim na frente de vários usuários. Eu me indignei e fui atrás dele, segurei pela mochila, para cobrar uma explicação, mas sem agressão", disse.

O Metrô considerou que a reação do funcionário infringiu o Código de Ética da companhia no trato com usuário, conforme informou a empresa por meio de nota.

De acordo com artigo 20, da lei 7.716, "praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia..." é crime com pena prevista de um a três anos de reclusão.

Segundo Valter, não foi a primeira vez que o mesmo usuário tinha usado expressões racistas e de injúria contra ele. "Uma outra vez, ele queria que o Metrô tivesse troco para uma nota de R$ 100. Eu orientei, dizendo que tinha que esperar e ele teve uma reação revoltada. Dois policiais que estavam na estação aquele dia até deram um 'enquadro' nele porque estava muito alterado", disse o metroviário.

Ainda, segundo Valter, o usuário foi até a estação Vila Mariana, também na zona sul, no mesmo dia 15 de agosto, registrar uma reclamação contra ele. "Por telefone, eu expliquei o que aconteceu. O supervisor que atendeu o usuário lá disse que ele desistiu de registrar queixa depois que ficou sabendo que eu pretendia fazer a denúncia de racismo. A situação foi apaziguada e o Metrô não pediu nem que eu fizesse um relatório sobre o fato. A demissão me surpreendeu um mês depois, por este motivo, sendo que no dia não fizeram nada e não foram ver as imagens." Valter trabalhava no Metrô há 15 anos.

Para o sindicato, o que houve foi uma negligência do Metrô e conivência com um ato de racismo. "Não foi um caso único. Este mesmo usuário já tinha xingado o funcionário antes com ofensas racistas. Obviamente, ele reagiu, mas não houve agressão de forma alguma. Ele foi áspero, mas porque estava indignado como qualquer um ficaria”, disse Alex Fernandes, coordenador do sindicato, ressaltando que a reação do funcionário foi de defesa contra uma agressão e não houve infração ao Código de Ética.

— Imagina você ser chamado de macaco no seu local de trabalho. Isso é inadmissível em qualquer lugar.  O Metrô já tinha sido informado sobre as ocorrências de racismo. A empresa sabia e não tomou nenhuma providência. Vamos exigir que o Valter seja reintegrado ao trabalho.

Outro lado

Questionado pelo R7 sobre a demissão e o processo administrativo dos fatos que geraram a demissão do funcionário, o Metrô enviou a seguinte nota: "O funcionário Valter Rocha foi desligado do Metrô após infringir  o Código de Ética e o Regulamento Disciplinar da Companhia no trato com o usuário".

R7 
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