21 de setembro de 2017

Doria vai exigir que bicicleta compartilhada possa ser paga com Bilhete Único

Prefeito de São Paulo assinou decreto para regular serviço de empréstimo de bicicletas na cidade. Tucano quer que morador da periferia também possa dormir com a bike em casa.


O prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), assinou nesta quinta-feira (21) um decreto para regular o sistema de compartilhamento de bicicletas na cidade nos mesmos moldes que já faz com o serviço de caronas pagas, como o prestado pelo Uber.

O empréstimo de bicicletas será, então, ampliado, e poderá ser oferecido por diversas empresas, desde que elas cumpram a regras determinadas pela Prefeitura. Hoje, o serviço é oferecido apenas por duas operadores, patrocinadas pelos bancos Itaú e Bradesco.

Muitas das regras, como o preço máximo que poderá ser cobrado pelos empréstimos, ainda serão definidas pelo Comitê Municipal de Uso do Viário. A Prefeitura, porém, já adiantou as diretrizes que quer que as novas interessadas em prestar o serviço sigam. As principais demandas passam pela forma de pagamento e a devolução das bikes após o uso.

A gestão Doria vai exigir que todas as operadoras ofereçam a opção de pagar pelo empréstimo com o Bilhete Único. “Não será permitido que as empresas exijam que apenas quem tem cadastro bancário, a população ‘bancalizada’, possa ter acesso ao sistema”, justificou o secretário de Transportes, Sérgio Avelleda.

Bike em casa

A Prefeitura também quer que os moradores da periferia tenham a possibilidade de “dormir” com as bikes. Ou seja, que a devolução de um empréstimo possa ser feita apenas no dia seguinte, sem a cobrança de taxas. “Para chegarem do trabalho no final do dia, em um terminal de ônibus, encontrarem a bicicleta e terem ela para ir a sua casa e voltar no dia seguinte”, explica Avelleda.

Para Avelleda, o empréstimo prolongado permitirá uma maior integração com outros meios de transporte: "É difícil sair do Grajaú e vir para o Centro de bicicleta. Poucos tem a habilidade física para isso. Mas sair do Grajaú com destino ao Terminal Grajaú, para fazer sua primeira perna de bicicleta e a segunda no transporte público, é muito factível".

A preocupação com a questão dos furtos é pequena, segundo o secretário. "Os operadores atuais não têm uma grande reclamação com a questão do furto de bicicletas. Não é um problema muito elevado. Primeiro que as bicicletas são controladas remotamente por georreferenciamento", afirmou.
Distribuição e contrapartidas

A Prefeitura estima que, na primeira etapa de credenciamento, cerca de 10 mil novas bikes já sejam disponibilizadas para a população. A distribuição deste reforço é outra exigência da administração municipal, que quer espalhar a oferta de bikes pela cidade, em especial nas regiões periféricas, tirando o atual protagonismo do Centro e da Zona Oeste.

As futuras parceiras da Prefeitura terão que compartilhar dados com a Secretaria Municipal de Transportes, como a origem e o destino das viagens feitas com as bicicletas - a expectativa é que as informações sejam úteis para melhorar as rotas dos ciclistas. Em troca, as empresas poderão explorar a publicidade nas bikes, que terão design padrão, e nas estações - desde que respeitem a Lei Cidade Limpa.

Planos futuros

As operadoras atuais terão 180 dias para se adequar às novas determinações. Apostando no sucesso do novo formato, a gestão Doria já faz planos até mais ousados. Seguindo o exemplo da cidade chinesa Shenzhen, visitada pelo prefeito no fim de julho, a ideia é que as bicicletas possam ser pegas e devolvidas fora de estações em breve.

"Já está disseminado em várias cidades do mundo as bicicletas sem estação. Ela tem uma trava própria que você libera com a aproximação do seu celuluar, do aplicativo. Tem um QR code na bike, o sistema lê e libera a trava. Remotamente ela é liberada e você pode usar. Quando terminar a viagem, você trava a biclicleta e ela fica disponível para outro usuário", explica Avelleda.

O plano ainda não tem data para ser colocado em prática por conta da preocupação da Prefeitura com onde as bicicletas serão deixadas sem estações para guardá-las. "Nós teremos muito cuidado com isso para que as calçadas não sejam afetadas na sua acessibilidade, para que os pedestres não tenha diminuída a sua acessibilidade". Uma das alternativas estudadas, também espelhada na China, é delimitar áreas em que elas possam ser estacionadas.


G1 https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/doria-vai-exigir-que-bicicleta-compartilhada-possa-ser-paga-com-bilhete-unico.ghtml
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