SITUAÇÕES DAS LINHAS
6 Linha 6-Laranja
Estações (Fase Inicial):
João Paulo I • Freguesia do Ó • Santa Marina • Água Branca • Sesc-Pompeia • Perdizes
Horário: Segunda a sexta, exceto feriados, 10h às 15h
Laranja
Fora de Operação
17 Linha 17-Ouro
Horário: Segunda a sexta, 9h às 16h
Ouro
Fora de Operação
AG Aeromovel GRU
Horário: Todos os dias, 17h às 23h59
Aeromovel GRU
Fora de Operação
7 Linha 7-Rubi
Horário: Todos os dias, 4h às 0h
Rubi
Operando
10 Linha 10-Turquesa
Horário: Todos os dias, 4h às 0h
Turquesa
Operando
11 Linha 11-Coral
Horário: Todos os dias, 4h às 0h
Coral
Operando
12 Linha 12-Safira
Horário: Todos os dias, 4h às 0h
Safira
Operando
13 Linha 13-Jade
Horário: Todos os dias, 4h às 0h
Jade
Operando
8 Linha 8-Diamante
Horário: Todos os dias, 4h às 0h
Diamante
Operando
9 Linha 9-Esmeralda
Horário: Todos os dias, 4h às 0h
Esmeralda
Operando
1 Linha 1-Azul
Horário normal: 4h40 às 0h
Sábado (28) → Domingo (29): 24 horas
Azul
Operando
2 Linha 2-Verde
Horário normal: 4h40 às 0h
Sábado (28) → Domingo (29): 24 horas
Verde
Operando
3 Linha 3-Vermelha
Horário normal: 4h40 às 0h
Sábado (28) → Domingo (29): 24 horas
Vermelha
Operando
4 Linha 4-Amarela
Horário: Todos os dias, 4h40 às 0h
Amarela
Operando
5 Linha 5-Lilás
Horário: Todos os dias, 4h40 às 0h
Lilás
Operando
15 Linha 15-Prata
Horário normal: 4h40 às 0h
Sábado (28) → Domingo (29): 24 horas
Prata
Operando
EA Expresso Aeroporto
Horário: 5h à meia-noite
Expresso Aeroporto
Operando
Atualizado em: 28/08/2025, 06:47:00
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Artigo: Esses humanos

Quando somos usuários diários dos trens da CPTM ou do Metrô, muitas vezes, é inevitável idealizarmos um modelo de comparação relacionando-os aos seres humanos.

Eu, por exemplo, sempre tenho isso em mente em diversos momentos e tomo a liberdade de compartilhar com vocês.

Uma das comparações que acho clássica é aquela quando o bichinho se arrasta entre uma estação e outra, fazendo de poucos minutos uma eternidade. Nessa situação, só tenho uma certeza: ele está com TPM e das bravas!
TPM é a sigla que uso para definir que é um"Trem Parando Muito" e, neste caso, infelizmente para nós, não acontece somente num período do mês!
Em alguns trajetos, quando estamos nos vagões e, por azar, distraídos e em pé, acontecem as famosas freadas bruscas.

Quando isso acontece, e depois de me recompor, a sensação é que estou passeando dentro de mim quando estou com crise de bronquite! Parece que o carro tá engasgado com toda tosse causada pela falta de ar e, neste caso, só xarope expectorante para salvar a minha vida e a dos demais usuários que se encontram na mesma situação.

Outro caso que vemos com frequência é o famoso "mimimi". Isso aqui independe de sexo! Eu encaro como sendo aquele momento em que o trem fica num abre e fecha de portas frequente, parado na plataforma, e não decide se sai ou se fica, parecendo alguém com frescura antes de tomar uma grandiosa decisão.

Enquanto isso, nós, os queridos pacientes, esperamos, esperamos, esperamos até que o "mimitrem" acabe e decida prosseguir viagem, que será sempre a melhor decisão, mesmo que isso já tenha levado minutos eternos.

O bom mesmo seria, e o que todos nós desejamos diariamente, é que sempre a melhor comparação a ser feita é quando ele cumpre o prometido e faz o que todos esperamos: nos transportar rápido e eficiente como se fossem o Mestre Sala e a Porta Bandeira da melhor escola de samba. Lindos, leves e faceiros, mas sem sacudir muito, como se o balanço fosse apenas um sambinha daqueles bons das antigas.


Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog www.aviajantedotrem.com.br.

Andréia Garcia,
A Viajante Do Trem

´A Viajante do Trem´ lança seu primeiro livro

Para Andréia, escrever sobre o tema ´é uma brincadeira que está dando certo´
De uma maneira bem humorada, Andréia Garcia, relata o cotidiano dentro dos trens e metrôs de São Paulo, em seu primeiro livro: "O Viajante do Trem". O lançamento da obra aconteceu ontem, no espaço cultural "Troupe Parabolandos", em Suzano.

O leitor vai encontrar histórias verídicas e dramáticas, contadas de maneira engraçada, de forma a prendê-lo na leitura, pois são casos reais transformados em crônicas e até paródias com marchinhas de carnaval que fazem comparações com algumas situações que só acontecem nos transportes ferroviários. "Eu uso o trem e o metrô todos os dias, então retrato o cotidiano, as situações que eu presencio", explica.

Andréia não é escritora de profissão, ela trabalha com Tecnologia da Informação (T.I.) e é coordenadora de projetos em ERP. "Sempre gostei de escrever, apesar de trabalhar com T.I., que não tem nada a ver, e é isso que torna toda essa repercussão meio surreal para mim", avalia.

Tudo começou com a ideia de escrever sobre a rotina dos passageiros de trem num blog, há nove meses. Depois veio o convite para escrever suas crônicas para o Dat, semanalmente, e então surgiu a oportunidade de registrar esses momentos engraçados em um livro, e ela topou o desafio. "É uma grande brincadeira que está dando certo", diz.

O evento de lançamento do livro "A Viajante do Trem" não será nada formal, como a autora da obra afirmou. "Esse negócio de muitas formalidades não é o meu estilo". Quem for prestigiá-la poderá assistir a atrações culturais, como apresentação de teatro, em que os atores da "Troupe Parabolandos" vão encenar uma paródia sobre o dia a dia dos usuários dos trens e metrôs.

O livro ainda nem foi lançado e já está trazendo resultados positivos para a "viajante do trem". "Recebi um convite para lançar meu livro na Livraria Suburbana, em São Paulo. Já agendamos para o dia 11 de fevereiro", revela.

Quem quiser garantir seu exemplar e não compareceu no lançamento, poderá adquirir com a Andréia pelo email: aviajantedotrem@gmail.com, por apenas R$ 15. "A venda será diretamente comigo por ser uma produção independente".

Fonte: DAT
Fernanda Fernandes
Da Redação

Mayara de Paula

Artigo: Dodóis no trem

Acredito que muitas pessoas que utilizam os trens, antes de saírem de casa, fazem várias preces para diversos santos pedindo para que nada de ruim lhes aconteça.

Nessa multidão, as pessoas que sofrem de alguma doença, seja ela física ou psicológica, são as que mais estão suscetíveis a alguma crise.

Sempre tive problemas com tudo aquilo que termina com "ite": rinite, bronquite, tendinite e até frescurite. Em vários momentos esses meus probleminhas aparecem nas viagens.

A rinite, por exemplo, é a que mais me acomete. Quando eu começo a espirrar, é um atrás do outro e, geralmente, isso sempre acontece quando o trem está lotado.

Basta chegar perto daquela pessoa que acabou de tomar banho de perfume que meu nariz fica todo alegrinho e manifesta-se como se estivesse dizendo: estou aqui!
A maior complicação no meu caso é que não sou uma pessoa discreta. Logo, meus espirros são como uma bomba de alta potência e não há uma alma que não olhe para mim. E ainda tenho que ser rápida para evitar lavar a pessoa da frente guardando o que estou na mão e tentando achar o lenço de papel que sempre some dentro da bolsa.É um sufoco!

A bronquite me causa a tosse irritante, aquela tipo pigarro, onde fico sem ar e a sensação é que o pulmão vai sair pela boca e perdê-lo dentro do trem lotado não seria uma boa ideia!
Sinceramente, eu surto quando alguém tem uma crise de tosse perto de mim porque sempre penso que uma hora tudo aquilo pode desentupir em cima de todos nós.

Pessoas alérgicas, como eu, sempre sofrem. Uma história que já me contaram é que no trem muito lotado, uma linda moça com seus cabelos compridos amarrados num rabo de cavalo toda hora ficava balançando-os para lá e para cá e bem no seu rosto. Para mim, isso iria causar coceira na hora!
Fora que se você ainda for uma pessoa nojenta, vai surtar só com a hipótese desse cabelo estar cheio de caspas ou outros moradores estranhos, a caírem todinhos em cima de você.

Portanto, vai a dica: moças, em trem lotado, não se deve ficar arrumando e balançando os cabelos nas outras pessoas!

Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog www.aviajantedotrem.com.br.

Andréia Garcia,
A Viajante Do Trem

Conheça o Hugo, o usuário azarado dos trens da CPTM

Hugo sempre deixava o celular para despertar exatamente às 5h30, mas justamente naquele dia em que tinha uma reunião importantíssima esqueceu de carregar a bateria e ele não despertou. Quando abriu os olhos já eram 6 horas e, loucamente, começou a se arrumar.

Sem tomar café, corre para ir à estação de trem. A primeira coisa que vê são os mil degraus até chegar às catracas. E, começando a subi-las, avista ao longe o trem que sempre pega.

Sai tropeçando em tudo, mas a emoção de superar os obstáculos é tão forte que não pensa em nada. Com a língua de fora coloca o bilhete na catraca e aparece a mensagem: sem saldo. Xingando, sai da fila e vai para a bilheteria, vendo seu trem ir embora.

Tentando acalmar o coração, passa a catraca e ao descer na plataforma, ouve aquela voz dizendo a última coisa que gostaria de ouvir: "Por motivo de defeito na via, os trens estão circulando com velocidade reduzida e menor tempo de parada".

Quase chorando, fica onde sempre costuma aguardar, já percebendo a lotação se formando. Depois de 20 minutos, o trem chega e, ao abrir as portas, toma logo uma bolsada na cabeça e uma pisada no calo que o sapato novo tinha acabado de fazer.

Consegue um lugar embaixo das axilas de um senhor que acabou de voltar da noitada e pelo cheiro, não sabia o que era desodorante há muito tempo. Por trás, sente algo o pressionando, mas desiste de tentar descobrir o que era.

A cada parada, o trem ia entupindo e como estava com o terno novo comprado principalmente para a reunião, o suor começou a ficar inevitável na testa.

Tentando encontrar algo bom em tudo isso, começa a observar a mocinha bonitinha ao seu lado, acreditando que o cupido poderia surpreendê-lo nesse dia tão conturbado.

E quando acreditava que nada mais de ruim iria acontecer, ao criar coragem para perguntar o nome dela, sente um jato quente em seus sapatos de alguém que acabava de passar mal no meio daquele caos.

Você acha que isso é ficção? Posso garantir que todo mundo já passou por um dia de Hugo nas aventuras diárias de usuários de trens. Você não?

Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog  www.aviajantedotrem.com.br.

Artigo: Descubra o que é o Potoque da CPTM

Talvez você não saiba o que significa esse termo e confesso que até uns dois meses atrás eu também não o havia associado ao meu parceiro de todos os dias: o trem.

Um querido membro da "Galerinha da Linha 11", o Ravel, usa esse termo para definir o trem da Extensão Guaianazes a Estudantes.

O motivo é óbvio depois que você descobre: prestem atenção no barulho que esse tipo de trem faz. É potoque-potoque por todo o caminho! É no potoque que geralmente acontecem várias histórias que já relatei. O caso da barata da semana passada foi em um tipo clássico desse trem.

Eles possuem uma característica básica pela qual você pode trafegar por entre os vagões. Para uma criança, isso é o máximo. Pelo menos para mim era uma aventura, já que para atravessá-lo tinha que me equilibrar com todo aquele "tremelique" e a adrenalina ia às alturas quando via entre o eixo que os unia os trilhos lá embaixo.

Os vendedores ambulantes até hoje preferem esse tipo de trem pois eles não possuem câmeras e como param em todas as estações, a troca entre os vagões fica mais fácil. Só que os seguranças percebendo isso, muitas vezes, ficam à paisana, aí é apreensão na certa.

Conforto nunca foi o forte dos potoques. Existem linhas que ainda trafegam alguns e pegá-los no verão, por exemplo, era uma das piores situações que enfrentava.

Tudo bem que até podemos utilizá-lo como sauna e perdermos aquelas gordurinhas indesejadas, mas tem usuário que leva isso muito a sério, suando tanto que o ambiente fica um tanto quanto desagradável, com um cheirinho muito característico.

Era no potoque que as rodinhas de trucos se faziam mais presentes. Acho que isso acontecia por conta dos vários estudantes que pegavam o famoso Trem dos Estudantes, que ia direto do Brás até lá e era concorridíssimo, principalmente pelas paqueras que rolavam.

No balanço do Potoque muitos amores nasceram, mas você tinha que tomar cuidado quando sentava ao lado desses casais e acho que não preciso entrar em detalhes quanto à isso, né?
Tenho certeza que cada um tem a sua própria lembrança do potoque, não tem?

Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog www.aviajantedotrem.com.br.

Artigo: Promessas na CPTM nem sempre são mantidas

Sou do tempo em que os trens eram piores do que hoje em dia. Se você reclama dos trens de hoje é porque nunca andou nos de antigamente onde o chão era furado e eles trafegavam com as portas sempre abertas. Ainda por cima era a época dos temidos arrastões, dos surfistas de trens e das baratas, muitas baratas!

Arrumei meu primeiro emprego de "gente grande" em São Paulo, em 1993. Com o medo natural de uma novata nessas aventuras de trem por já ter ouvido tantas desgraças, jurei de pés juntinhos (e não tinha como não estarem juntos), na primeira viagem, que nunca, mas nunca mesmo iria dormir no trem. Consegui seguir essa promessa por uns dois dias, mas depois minhas juras foram por trilho abaixo. Ao voltar de um dia cansativo e que estava muito calor, consegui milagrosamente sentar e em alguns minutos, Morfeu me abraçou com vontade, daquele jeito que sua boca abre tanto que fica parecendo uma caçapa e prontamente, parti para uma longa cochilada.

Você acha que ali é sua caminha gostosa, quentinha e perde a noção do tempo. Quando estava sonhando com um trem vazio só para mim, fui acordada aos berros por uma senhora à minha frente: "Moçaaaaaa, tem uma barata na sua blusa!!!!". Abri meus olhos ainda sem saber onde estava e quem era, mas sem perder a compostura, olhei para minha blusa e tinha "Aquela" barata. Argh!!! Não tive dúvidas, dei um peteleco na meliante e ela foi rodando por várias outras blusas.

Foi o verdadeiro caos naquele trem! Só dava para ouvir os berros de todo mundo, até que ela sumiu, provavelmente esmagada no meio da multidão. Foram momentos tensos onde virei o centro das atenções, só que como tudo no trem, logo surgiu outra situação e essa ficou no esquecimento. Assim que isso acabou, lembrei-me da minha promessa de não dormir e a refiz mentalmente umas dez vezes. Bastou um chacoalhão do trem e uns minutos para novamente o ronco e a baba se fazerem presentes.

Novamente, deixei-me levar em um sono profundo e aconchegante até a próxima barata aparecer. É, no trem, nem o medo consegue manter nossas promessas por muito tempo! Bons sonhos!

Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog www.aviajantedotrem.com.br.

Artigo: Gosta de Futebol? Bora jogar uma partida nos trens do Metrô e da CPTM?


Conversando com meu amigo Douglas, ele me deu a seguinte dica: "Já percebeu que todos os dias é como se os usuários dos trens e do Metrô estivessem em uma partida de futebol?".

Se pararmos para pensar, principalmente nas estações onde os trens abrem as portas dos dois lados, o jogo começa no horário de pico. Nessa partida, enquanto o trem não chega, as pessoas de cada uma das plataformas fazem parte do mesmo time.

Todas estão ansiosas pelo prêmio máximo: entrar e sentar, ou pelo menos, no meu caso, me manter viva, sem levar socos e pontapés! Elas ficam se encarando com aquela expressão "sangue nos olhos", tão comum nos campos, e tenho certeza que um dos pensamentos que aparece mais forte nesse momento é: vai abrir desse lado e nós vamos ganhar!
Mas ao mesmo tempo em que existe essa cumplicidade momentânea da galera que veste a mesma camisa, ou melhor, que está na mesma plataforma, eles se tornam adversários assim que o trem estaciona.

Nesse momento, é jogador que chuta o próprio companheiro, empurra para fora do campo, enfim, é um salve-se quem puder.

Muitos expectadores que assistem a transmissão desse clássico do dia a dia já não sabem mais para quem torcer, porque ali o que reina é a individualidade, infelizmente.
Depois desse primeiro tempo de sufoco e de marcação cerrada, ele ainda não acaba. No trajeto, ainda existirão as paradas e nelas, mais jogadores se unem e novos conflitos surgem onde os que estão fora querem entrar e os que precisam descer, bom, coitados, nem com pênalti sem goleiro conseguem marcar o gol.

Nessas horas, às vezes, os bandeirinhas aparecem para colocar ordem na bagunça. Colocam fita de contenção e ordenam a saída dos jogadores machucados, para que a substituição seja feita. Mas assim como na vida real, são raras essas cenas. Ainda tem o juiz, que controla todo o time, parando, freando e acelerando quando pode.

No fundo, o que todos querem é conseguir seu objetivo maior: não levar o cartão vermelho do chefe por mais um atraso!

Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog www.aviajantedotrem.com.br.


Andréia Garcia, A Viajante Do Trem
DAT

Artigo: Na CPTM e no Metrô podemos ter algumas curas


Sempre fui uma pessoa otimista por natureza. Mesmo quando tudo à minha volta parece desmoronar, tento enxergar a Luz no fim do túnel. E isso não poderia ser diferente no meu dia a dia de viajante de trem, cheios de túneis também.

Dependendo do que você sofre, seja um mal físico, psicológico ou emocional, o trem pode te auxiliar. Quer exemplos?
Uma das doenças mais comuns nos tempos de hoje é a depressão. As pessoas reclamam de solidão, que não acham ninguém que as entenda e que só queriam ter alguém para conversar.

A solução para esse mal está entre os horários das 6 e 8 horas, todos os dias, de segunda à sexta-feira, tanto na CPTM quanto no Metrô de São Paulo.
Basta chegar e falar "oi" e pronto, seu mal está curado. Impossível se sentir sozinho e abandonado com tantas pessoas ao seu redor. Dá até para abraçar, sentir o cheirinho do outro, enfim, tudo para se achar a pessoa mais amada do mundo!
Outro problema que pode ser facilmente corrigido é a lordose. É só a pessoa que sofre disso entrar num trem lotado no horário de pico que garanto que rapidinho a coluna fica ereta. É tanta gente te apertando que a coluna vai se moldar para onde você quiser.

Para quem sofre de labirintite não existe solução melhor do que a lotação do trem. A pessoa está ali, sem senso de direção e perde completamente o eixo, vendo tudo rodar e quando percebe, já no trem, nota que tem gente por todos os lados. Duvido que em todo o trajeto ela perca o equilíbrio e caia. Se balançar, já vai ter alguém que a empurre para o outro lado. Com isso, o labirinto volta ao lugar e quando sair já será outra pessoa.

Já vi o trem curar até cegueira! Não acredita? Me contaram que uma pessoa entrou no trem guiando a amiga que estava com óculos de sol, em pleno horário de pico. Rapidinho, deram o lugar para ela se sentar nos bancos preferenciais. Quando chegaram à estação final, ela simplesmente levantou e saiu andando, sozinha, toda feliz. Detalhe: ela não tinha nenhum problema. Bom, aí já é problema de caráter, né? Isso nem o trem cura!

Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog www.aviajantedotrem.com.br.

Andréia Garcia, A Viajante Do Trem

Artigo: Amor e ódio com os trens da CPTM

Os usuários diários dos trens da CPTM possuem um certo fascínio, muitas vezes não revelado, sobre sua relação de amor e ódio com esse transporte.

Eu mesma sou apaixonada confessa pelo trenzão nosso de cada dia e acredito que criamos um elo tão forte com o garotão de aço que é como um verdadeiro casamento.

O relacionamento muitas vezes começa com uma simples amizade. Por conta da necessidade de seu uso já que você mora longe do trabalho e ele é o recurso mais barato, você começa a utilizá-lo.

Com isso, aos poucos, você vai pegando a intimidade necessária para se achar o melhor amigo daquele trem, naquele horário, naquela porta, daquele exato vagão.

A amizade se forma e quando alguém atrapalha, entrando em sua frente e roubando o seu cubículo, você já se estressa porque ali é o seu lugar e de mais ninguém.

Quem cultivou essa amizade foi você e já que esse laço está ficando forte e a concorrência também, você decide partir para algo mais sério e parte para o casamento.

A lua de mel começa bem até a primeira queda de energia que paralisa todo o sistema e faz com que você chegue atrasado no serviço. A relação passa por um stress e é difícil recuperar o amor de antigamente.

E logo vem a traição. Se pegava o trem às 6h33 (os horários são todos certinhos, pelo menos no papel), você decide radicalizar: pega um trem fora de horário, começa a boicotar voltando de ônibus, entra em contato com aquele amigo que vai para São Paulo de carro pedindo carona.

Por uns dias, isso dá certo, mas quando você menos percebe, começa a achar defeito nisso tudo, pois o trânsito é infernal, seu amigo não é tão amigo assim e a carona torna-se chata e, por ser educado, nem dá para colocar um fone de ouvido ou ler um livrinho.

E chega à conclusão que o melhor que tem a fazer é retornar para os braços do seu parceiro de todas as horas, pois faça sol ou faça chuva, e nesse caso é melhor que não caia muita água para não alagar os trilhos, ele estará lá te esperando, doido para te levar, mesmo que tenha sempre que te dizer: paramos para aguardar a movimentação do trem à frente.


Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog www.aviajantedotrem.com.br.



Andréia Garcia,
A Viajante Do Trem

Artigo: Passando o tempo na CPTM


Várias razões me faziam sentir falta do trem quando trabalhava perto de minha casa. Percebia que temos tantas maneiras de aproveitar o tempo quando utilizamos esse tipo de transporte! Algumas atividades me atraem mais, como ler e, obviamente, escrever.

Essas crônicas só existem por causa das quase quatro horas que gasto diariamente, tanto na ida quanto na volta. Na correria da minha vida seria impossível manter os comentários diários, além do que não vivenciaria as situações que aqui transcrevo. Quando pego um livro para ler e a história é boa, acabo a leitura rapidamente e o pescoção típico ao meu lado, também.

Por falar em pescoção, eu me assumo como uma, pois a observação faz parte de alguns hilários momentos que poderiam passar despercebidos. Só tenho que tomar cuidado para não acharem que a minha intenção é outra!
Hoje em dia, nunca mais vi, mas um clássico passatempo eram as rodinhas de truco. Era impressionante como os jogadores conseguiam ser inatingíveis, com aquela bagunça toda que eram os trens de outrora!
O trem estava lotado e mesmo assim as partidas rolavam e ninguém ousava pedir para que eles se apertassem e o conforto fosse melhor para todos. Mas confesso que não era confortável estar perto deles, se você não fosse um jogador. Era impossível tirar o sagrado cochilo, outro passatempo agradabilíssimo, quando se consegue um lugar sentado.

Um dos passatempos preferidos dos usuários também é tirar a barriga da miséria. Além das clássicas guloseimas, eu já vi pessoas comendo sanduíche de mortadela, milho ralado e até aquelas sopas instantâneas que vem num copinho. Neste último caso, precisa ter muita habilidade para não derrubar tudo!
O duro é quando essa mistura de aromas é em um dia quente, com um trem lotado. É pedir para passar mal, tanto a pessoa que está ingerindo essas "delícias" culinárias, quanto aquelas que estão ao seu redor. Só resta torcer para o nariz entupir!
Esses dias me deparei com uma mulher colocando a lente de contato! Já imaginou se ela cai? Impossível, encontrá-la.

E você, como passa o seu tempo nessas viagens diárias?

Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog www.aviajantedotrem.com.br.


Andréia Garcia, 
A Viajante Do Trem

Artigo: Dificuldades em um trem da CPTM

São muitas dificuldades pelas quais passamos dentro de um trem lotado. Eu vivencio algumas situações diariamente:

Retirar blusa de frio: Você sai cedo de casa e está aquele friozinho. Logo, coloca aquele novo casaco grosso. Fica na plataforma, com aquele vento de rachar, feliz por ter comprado o modelito. O trem chega entupido, você consegue um lugar espremido e quando ele ainda nem saiu da plataforma, já começa a sentir o suor escorrendo pelas costas. É horrível porque você sabe que se tudo der certo serão 34 minutos de pura ferveção no seu corpo e chegará ensopado no trabalho.

Espirrar e limpar o nariz: eu tenho rinite crônica e, todo dia, se eu não espirrar continuamente, sinto que falta algo em minha rotina. O problema todo é quando isso acontece dentro do trem. Bolsa pendurada, celular em uma mão e a outra tentando agarrar o ferro para não cair, mas aí os espirros chegam. E não é um espirro comum, é aquele que você sabe que vai lavar todo mundo! Tento me concentrar comprimindo o nariz para o espirro não vir, enquanto realizo uma manobra enorme para abrir a bolsa e procurar o lencinho de papel, que nessas horas sempre some. Quando eu o acho, o problema é abri-lo, colocá-lo em frente ao nariz, guardar o celular, soltar o ferro e, como uma pistola automática, disparo os espirros. Além de constrangedor, já que eles não são nada discretos, é uma dificuldade desesperadora.

Flexionar a perna: Todo mundo sabe que, em trem lotado, se você levantar o pé, não acha mais lugar para colocá-lo. Agora, não existe nada mais dolorido do que você manter as pernas retas como uma viga! Quando o trem para em sua estação final e você anda para sair dele, a dor é alucinante. Flexionar as pernas depois desse perrengue é chorar de dor. Seria muito mais fácil sair pulando do vagão só para não ter que dobrá-las.

Manter a calça limpa quando tem uma criança sentada à sua frente: bom, isso é autoexplicativo. A Lei de Murphy diz que isso sempre acontecerá quando você estiver com sua calça clara e limpinha.

Existem muito mais situações difíceis. Qual será a sua?

Andréia Garcia é coordenadora de projetos em ERP e autora do blog www.aviajantedotrem.com.br.

Fonte: DAT




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