GREVE GERAL

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13 de janeiro de 2017

Reação em cadeia

Aumentos de tarifas do transporte coletivo nos meses de dezembro ou janeiro não são novidade. Reajustes nos mais diversos modais são tradição nessa época de ano – além dos protestos que são realizados na sequência.

Em 2017, no entanto, novos fatores estão presentes, trazendo um cenário de imprevisibilidade para os usuários. Decisões judiciais e revogações de decreto tem provocado idas e vindas nas tarifas, num jogo que ainda não tem um ponto final previsto.

Por que, afinal, este ano está sendo diferente de anos anteriores? A origem desse cenário instável tem nome e sobrenome: João Doria (PSDB), novo prefeito de São Paulo, que decidiu congelar a tarifa de ônibus em R$ 3,80.

A decisão do tucano (até certo ponto louvável por estar sendo cumprida uma promessa de campanha) gerou uma reação em cadeia e acabou provocando desequilíbrios, já que São Paulo sempre foi o carro-chefe que acabava influenciando as definições de tarifas em toda a região metropolitana.

O governo de São Paulo, comandado pelo inventor de Doria, Geraldo Alckmin (PSDB), foi na onda do prefeito e não reajustou as tarifas da CPTM e no Metrô. No entanto, providenciou uma forma de “compensar” esse congelamento, passando a cobrar tarifa de integração em terminais como Diadema e Piraporinha e reajustar em mais que o dobro da inflação a integração entre ônibus municipais de São Paulo e o sistema metro-ferroviário.

Esta evidente estratégia de “fazer cortesia com o chapéu dos outros” (para não dizer populismo barato) foi um dos motivos que levou a Justiça a suspender os reajustes determinados pela Secretaria de Transportes Metropolitanos. Não adianta beneficiar alguns usuários e prejudicar outros.

O desequilíbrio também chegou às prefeituras. Uma vez congelada a tarifa na capital, os municípios do ABC deixaram de lado a discussão regional sobre o assunto e cada prefeito tomou a decisão por conta própria. Gestores que estavam prestes a sair elevaram tarifas e sucessores acabaram revogando os aumentos (como em São Caetano e Mauá) ou mantiveram o reajuste (como em Santo André).

Decisões de congelamento ou de reajuste precisam ser tomadas de maneira equilibrada, com embasamento técnico e de forma justa. Colocar o componente político nesta conta só prejudica o usuário.

Fonte: http://www.reporterdiario.com.br/noticia/2295127/reacao-em-cadeia/
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