8 de dezembro de 2016

Em meio a crise, Metrô de São Paulo opera com deficit de 632 funcionários

Passageiros em fila na bilheteria da estação Barra Funda do Metrô de São Paulo
RODRIGO RUSSO
DE SÃO PAULO

Em meio a uma forte crise financeira, o Metrô de São Paulo opera hoje com um deficit de 632 funcionários –6,5% do total de cargos ativos informados ao governo.

O resultado disso é a piora no atendimento e a maior espera nos serviços aos mais de 4 milhões de usuários diários atendidos pela companhia.

A empresa ligada à gestão Geraldo Alckmin (PSDB) nega esses problemas, mas suas ações sinalizam o contrário. Em novembro foi realizado um concurso para contratar 40 empregados, o que representa 6% do deficit atual.

A lista de cargos com maior deficit, segundo planilha obtida pela Folha e atualizada no mês passado, conta com diferentes áreas operacionais, com impacto nos serviços prestados aos passageiros.

Lidera esse ranking a função de operador de transporte metroviário, com 129 vagas em aberto. Os operadores têm, conforme seus níveis, a atribuição de atuar nas bilheterias, de organizar o fluxo de passageiros nas estações, de operar os trens ou de supervisionar as operações.

Outros cargos que estão no topo dessa lista são os de agente de segurança metroviária (com 52 postos vagos), engenheiro júnior (49) e técnico de sistemas metroviários (30), além de outras funções administrativas.

Pelo concurso aberto, só 20 vagas de operadores serão repostas, além de outras quatro para técnicos de sistemas.

FALTA DE FUNCIONÁRIOS NO METRÔ

Em crise, companhia opera com 6,5% menos profissionais do que o total de cargos



Essa situação deve se agravar nos próximos dois anos, porque outros exatos 632 funcionários manifestaram interesse em aderir ao programa de demissão voluntária aberto pela empresa neste ano como forma de reduzir custos.

Somando-se tal contingente ao deficit atual, a companhia paulista teria 13% de seus cargos não preenchidos.

Do total de interessados no programa de demissão, 66% estão ligados a cargos de operação e 34% a funções administrativas, de gestão ou assessoria. Quando anunciou a medida, a empresa se comprometeu a repor os funcionários em postos operacionais.

Diretor do Sindicato dos Metroviários, Alex Santana critica o cenário atual.

"Enquanto os usuários pedem mais metrô, mais investimentos e mais funcionários, o governo do Estado vai na contramão, reduzindo tanto funcionários quanto investimentos", afirma.

O Metrô é uma empresa pública que, diferentemente da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), consegue se sustentar com as próprias receitas. O único repasse que recebe do governo do Estado é relativo ao pagamento de passageiros com passe livre –um benefício concedido por decisão política, não da companhia.

Apesar disso, no ano passado a gestão Geraldo Alckmin deu um calote de R$ 66 milhões na empresa, dinheiro que seria usado justamente para cobrir os custos dessa política de gratuidades.

FALTA DE FUNCIONÁRIOS NO METRÔ

Vagas não preenchidas, em nov.2016



IMPACTOS

Desde o fim do ano passado, as bilheterias nas estações registram longas filas, gerando atrasos para os usuários do transporte público.

Com a crise, muitos passageiros perderam o benefício do vale-transporte ou deixaram de fazer recargas antecipadas de Bilhete Único para comprar seus bilhetes em papel conforme viajam.

O efetivo do Metrô para atendimento ao público, porém, se mostrou insuficiente para atender os usuários –com muitos guichês de atendimento ao público fechados, enquanto as estações convivem com longas filas que antes quase não existiam.

Outro problema ligado ao número de operadores é o aumento do tempo de espera para embarcar. Esse fenômeno tem ocorrido nas já lotadas linhas 3-vermelha e 5-lilás, piorando a qualidade do serviço nos horários de pico.

Quanto maior o tempo de espera, mais cheias ficam as plataformas e mais lotados ficam os vagões dos trens.

CARGOS COM MAIOR DEFICIT, EM NOVEMBRO DE 2016

Vagas não preenchidas


COMPATÍVEL

O Metrô diz que seu "quadro de empregados está de acordo com as necessidades operacionais, o equilíbrio financeiro da companhia e compatível com a eficiência adquirida em todo o sistema com a modernização de equipamentos e operações".

Com isso, a companhia ligada à gestão Geraldo Alckmin nega ter deficit e afirma que "a qualidade dos serviços prestados aos usuários é um indicativo da boa gestão, com otimização de recursos e do quadro de pessoal".

A empresa cita ainda pesquisa Datafolha pela qual o metrô foi eleito, por dois anos consecutivos, "como o melhor serviço de transporte público de São Paulo".

Outras pesquisas, como a de imagem feita pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) com apoio do próprio Metrô, também já apontaram a liderança do modo em relação a outros, bem como a queda de sua aprovação.

Em 2006, o Metrô tinha 93% de avaliações excelentes ou boas. Em 2014, último ano da divulgação, apenas 64%.

O Metrô destaca que conseguiu aumentar o número de viagens apesar dos impactos da crise econômica do país, "que resultou em redução de 11 milhões de passageiros transportados de janeiro a novembro de 2016 em relação ao mesmo período de 2015".

A companhia realizou 1.045.204 de viagens, 50,6 mil a mais que no ano anterior.

Esse aumento levou à redução no intervalo entre trens em duas das quatro linhas. Na linha 1-azul, diz que a espera caiu um segundo (de 1 min. e 32 s. para 1 min. e 31 s.). Na 2-verde, igual redução (de 1 min. e 53 s. para 1 min. e 52 s.).

O Metrô diz ainda que "o programa de demissão voluntária foi implantado para a renovação do quadro da companhia". Em mensagem interna aos funcionários, a empresa adotou outro discurso e disse que o plano "faz parte das medidas que a companhia vem adotando visando a sustentabilidade e o equilíbrio financeiro da empresa".

A última vez em que o Metrô adotou esse expediente foi em 1998.

Fonte: Folha de SP http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2016/12/1839454-em-meio-a-crise-metro-de-sao-paulo-opera-com-deficit-de-632-funcionarios.shtml
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