7 de abril de 2015

Após estupro no Metrô, sindicato aponta falta de segurança no sistema

Jovem de 18 anos deixava o local de trabalho, na estação República, quando foi rendida por um homem, que amarrou as mãos dela; estuprador quebrou câmeras de segurança

 

Uma funcionária de 18 anos foi estuprada por dois homens dentro da cabine de recarga do Bilhete Único onde trabalha na estação República do Metrô, na região de São Paulo. O caso aconteceu na última quinta-feira (2), mas só foi divulgado na segunda-feira (6).

 

Segundo informações do Boletim de Ocorrência elaborado pelo Metrô, a vítima encerrava seu expediente de trabalho, às 23h27 daquela noite. Antes de sair, ela olhou pelo olho mágico da porta. Como o equipamento não estava funcionando, ela não viu um homem atrás da porta. Ela informou que apagou a luz e saiu da cabine.

 

Neste momento, um homem descrito pela vítima como "pardo, de aproximadamente 1,75m de altura, compleição física forte, cabelos raspados, usando óculos, trajando camisa social e calça listrada", que estava do lado de fora da cabine, a ameaçou, amarrou as mãos dela atrás das costas com fita adesiva e a estuprou.

 

Na sequencia, ainda segundo o Boletim de Ocorrência, o estuprador abriu a porta para outro homem descrito pela vítima como "pardo, aproximadamente 1,80 m de altura, compleição física fraca, cabelo liso, trajando roupa social”. De acordo com relato da vítima, o homem era chamado de "Rafinha" pelo primeiro.

 

Rafinha teria questionado se a vítima sabia abrir o cofre da cabine. Diante da resposta negativa, os criminosos ainda tentaram usar a força para forçar a abertura, mas não conseguiram. A dupla fugiu levando dois celulares que estavam na cabine. Antes de sair do local, porém, eles mandaram a vítima aguardar cerca de meia hora para pedir ajuda.

 

A jovem saiu do local alguns minutos depois, procurou os seguranças do local, foi socorrida e levada à delegacia do Metrô, onde prestou depoimento. Em seguida, foi encaminhada para realização de exames.

 

“Ela fez exame de corpo de delito no dia e tem uma avaliação médica. Ela terá esse período de afastamento e depois vamos avaliar como manter a atividade dela”, afirmou José Carlos Martinelli, diretor de Contratos da Prodata. Segundo ele, a jovem é funcionária da empresa há três meses e ainda não há definição se ela continuará no trabalhando no mesmo local quando retornar ao trabalho.

 

“Mas a grande preocupação agora é com o estado médico e psicológico dela. Não vamos forçar nenhum tipo de trabalho que piore o trauma da situação que viveu”, disse Martinelli.

 

Câmeras de segurança foram quebradas

 

Martinelli, da Prodata, confirmou que o olho mágico da cabine estava quebrado no dia do crime. Segundo ele, por uma questão de segurança, os funcionários têm de checar o visor antes de abrir a porta.

 

Ao iG, o diretor confirmou ainda que a cabine onde a funcionária foi atacada tem câmeras que poderiam ter filmado ação. Mas o estuprador teria quebrado o equipamento interno assim que entrou na cabine. “Quando ele quebrou a interna, o sistema de gravação teve um curto circuito, que danificou também as gravações da câmera externa. Não foi possível, com os equipamentos que a gente tem, ver as imagens. Mas o disco rígido foi encaminhado para a polícia tentar recuperar a gravação”.

 

Em nota, o Metrô informou que tem mais de “3 mil câmeras de segurança espalhadas ao longo das linhas, nos trens e estações” e disse que disponibilizou as imagens para a polícia. O delegado responsável pelo caso não atendeu a reportagem na tarde desta segunda-feira.

 

O diretor da Prodata disse ainda que este foi o primeiro caso de estupro dentro de uma cabine da empresa no Metrô, mas se diz preocupado com a segurança dos funcionários, que prestam serviço dentro das estações.

 

“Em situações anteriores, de assaltos, a gente procurou o Metrô. Ele alega que não tem responsabilidade com a segurança dos concessionários. Mas é o Metrô que define onde vai estar localizada a cabine. Eu não tenho conhecimento de quais locais são seguros ou inseguros. Acho que essa é a grande divergência que vai permear a nossa conversa com o Metrô”. Martinelli confirmou que a falta de segurança pode até “inviabilizar” a prestação do serviço de recarga do Bilhete Único dentro das estações.

 

“Violência atroz”, diz sindicato

 

O caso foi definido como "violência atroz" por Marisa dos Santos Mendes, diretora da Secretaria de Mulheres do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

 

"Qualquer mulher que seja agredida, violentada, estuprada já é um fato bárbaro. Mas além dessa questão machista, está envolvida a segurança do trabalho. Ela foi vítima de violência quando estava trabalhando. Tem que dar condições de trabalho. Aconteceu tudo isso e ninguém viu", diz.

 

O Metrô informou ainda que tem mais de 1.100 agentes de segurança, que atuam uniformizados ou à paisana, e três mil câmeras distribuídas ao longo de suas linhas, nos trens e nas estações

 

O número é considerado insuficiente pelo sindicato dos metroviários. “Eles estão divididos em quatro linhas, em todas as estações e em três horários diferentes. Mas o Metrô tem uma demanda muito grande. Um sistema superlotado requer uma segurança maior”, diz Marisa.

 

Denúncias de abuso

 

Em março do ano passado, a polícia prendeu, na estação Sé, dois homens suspeitos de abusar de mulheres dentro de trens. Eles filmavam as partes íntimas das passageiras e depois publicavam as imagens nas redes sociais. No mesmo mês, um universitário foi preso suspeito de tentar estuprar uma mulher em um trem da Linha 7-Rubi, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

 

Os casos ganharam repercussão e o Metrô lançou campanha contra o abuso nas composições e dependências das estações. Coletivos de mulheres chegaram a distribuir alfnetes para mulheres se defenderem dos abusadores. 

 

Fonte: IG

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