1 de março de 2015

CPTM determina interrupção de contratos em carta a fornecedores

Texto diz a empresas que ação visa a ‘equilibrar’ despesas; trabalhos serão suspensos a partir de 3ª. Governo nega paralisação

Fornecedores da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram avisados por escrito para interromper suas atividades. 

O texto, cujo assunto é “suspensão temporária do contrato”, determina paralisação dos serviços a partir de terça-feira e diz se basear no decreto estadual 61.061, de 15 de janeiro, editado para “equilibrar” as despesas.

O Estado apurou que empresas subcontratadas já começaram a demitir funcionários em decorrência disso. “O maior temor é a fuga de engenheiros especializados, que agora vão procurar empregos em outros Estados e até fora do Brasil”, afirma um técnico. 

Nos bastidores, a certeza é de que vão atrasar as obras de instalação dos chamados CBTC, um sistema de controle de trens. Inicialmente, o prazo para a colocação desse novo sistema em todas as seis linhas da CPTM era meados de 2016. Agora, os engenheiros estimam que as obras só acabem em 2017. Com isso, os intervalos entre os trens continuarão elevados (maiores que os do Metrô), até mesmo nos horários de pico, mantendo a superlotação. 

As cartas de suspensão temporária dos contratos, assinadas pelo gerente de Implantação de Sistemas da CPTM, Sergio Ceribelli Madi, não especificam quando os serviços devem ser retomados. 
Nos bastidores, a certeza é de que vão atrasar as obras de instalação dos chamados CBTC, um sistema de controle de trens. 

Obras. O Estado esteve na Linha 13-Jade, ramal da CPTM que seguirá até Guarulhos. Em um dos quatro lotes, o 2, não há trabalhadores em serviço em um percurso de 2 km, entre a Várzea do Rio Tietê e a Rodovia Presidente Dutra.
A reportagem visitou ainda a Linha 17-Ouro do Metrô, o monotrilho que ligará o Aeroporto de Congonhas à zona sul, e ouviu de operários que, nas últimas semanas, colegas foram mandados embora. “O que está acontecendo é menos serviço. Às vezes, não temos o que fazer. O pessoal anda falando que vai ter corte”, disse um dos trabalhadores.

O governo do Estado confirma a suspensão de 38 dos 252 contratos da empresa, mas nega que haja paralisação dos serviços em qualquer um dos lotes. Também nega a lentidão na Linha 17.

Bruno Ribeiro e Caio do Valle - O Estado de S. Paulo
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