6 de junho de 2014

Em assembleia, metroviários decidem manter paralisação em São Paulo

Os metroviários de São Paulo decidiram na noite desta sexta-feira (6) manter a paralisação iniciada à 0h de quinta (5). A categoria se reuniu com representantes do Metrô, no TRT (Tribunal Regional do Trabalho), mas não houve avanço nas negociações. Com isso, a Justiça deve julgar a legalidade da greve no domingo (8).
Neste segundo dia de paralisação, as três principais linhas de metrô funcionaram parcialmente e o trânsito voltou a registrar índices recordes pela manhã. Também houve piquete por parte dos grevistas, que acabaram sendo retirados da estação Ana Rosa por policiais militares. Foi usada bomba de gás e balas de borracha. Ao todo, 4,6 milhões de pessoas foram afetadas, segundo o Metrô.

Com a confirmação da paralisação também no sábado (7), essa será a greve mais longa da categoria ao menos nos últimos 15 anos. A mais longa no período aconteceu em agosto de 2007, quando os metroviários pararam por dois dias.

Na reunião de hoje, os metroviários voltaram a propor a volta ao trabalho com a liberação das catracas, o que é rejeitado pelo Metrô. "Mantenho a proposta de catraca livre, amanhã nós vamos trabalhar se o governador liberar a catraca", afirmou o presidente do sindicato dos metroviários, Altino de Melo Prazeres Junior.

A categoria também marcou para sábado (7) uma nova assembleia para discutir o andamento da paralisação. "Mas só vai ter mudança se o governador negociar. Mas ele não está indicando isso. (...) "Vamos segurar essa peteca [a greve] no mínimo até domingo", disse o presidente do sindicato.

Inicialmente, o sindicato dos metroviários pedia 35,47% de aumento. O valor foi então reduzido para 16,5% (mesmo valor pedido pelo sindicato dos engenheiros do Metrô) e então, na última audiência, para 12,2%. O Metrô ofereceu 5,2%; 7,98% e, finalmente, 8,7%.

Na reunião desta sexta, o desembargador Rafael Pugliese chegou a dar um "sermão" às duas partes e disse que elas deveriam considerar o índice de 9% sugerido pela Justiça.

Mesmo assim, as duas partes permaneceram irredutíveis. O Metrô disse que chegou ao limite financeiro e não tem condições financeiras de elevar o reajuste para os índices propostos. O presidente do Metrô, Luiz Antonio Carvalho Pacheco, disse que consultou a diretoria e o secretário, e que não seria possível.

"Se o Metrô avançar além disse (8,7%) vai comprometer sua independência financeira em relação ao governo do Estado, e isso não podemos permitir", diz Manrich. Ele afirmou ainda que até o governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi consultado, mas há possibilidade de aumentar o percentual proposto.

Já o presidente do sindicato disse que a categoria não aceita menos de dois dígitos e que apostava em uma negociação, mas que o Metrô não se mostra disposto a negociar. "Em vez de tentar diminuir a tensão, o governo joga gasolina para tentar apagar o fogo", diz.

No término da audiência, Pugliese disse que "lamenta muito que não tenham chegado a um consenso, mas reitera que as partes reflitam e considerem uma possibilidade de acordo". Já Altino disse que além da greve, os piquetes também devem continuar.

Agora, a Justiça deverá julgar no próximo domingo (8), às 10h, os quatro processos envolvendo as partes: dois dissídios coletivos de greve (um ajuizado pelo MPT-2 e outro pelo Metrô), um dissídio econômico (Metrô) e uma cautelar inominada (Metrô).

Segundo Pugliese, independente do resultado do julgamento, a legislação determina o fim da greve com a conclusão do processo. Caso contrário, os grevistas poderão ser punidos.

"Julgada a greve, seja ela abusiva ou não abusiva, ela está encerrada. Depois do julgamento do Judiciário, não é possível ficar na greve, tem que retornar ao trabalho. Manter a mobilização depois da decisão é um exercício irregular de direito, é um abuso de direito. As punições são todas as possíveis: civis, criminais e trabalhistas, cada qual com a sua repercussão", disse o desembargador Rafael Pugliese.

"São mais de 1.500 páginas [no processo], vamos ter que nos desdobrar de madrugada e no sábado para ler e preparar um estudo para verificar o que é possível fazer para esse julgamento, que é complexo. A principio está marcado para às 10h e vamos tentar cumprir", acrescentou ele.

PARALISAÇÃO

Com a paralisação, estão funcionando 35 das 61 estações do metrô administradas pelo governo estadual. A circulação ocorre em trechos das linhas 1-azul (entre Saúde e Luz), linha 2-verde (entre as estações Ana Rosa e Vila Madalena) e linha 3-vermelha (Bresser-Mooca e Marechal Deodoro). Apenas as linhas 4-amarela e 5-lilás funcionam sem restrição.

O funcionamento das linhas administradas pelo governo estadual acontece por conta do deslocamento de funções de outros funcionários, como supervisores.

Com a restrição nos transportes, a capital paulista tem registrado longos congestionamento. Na manhã desta quinta, a lentidão chegou a 209 km às 9h30, o que corresponde ao maior do período da manhã desde o início do ano.

Nesta sexta, o pico da manhã chegou a 252 km, por volta das 10h30. O índice, porém, não contabilizado como recorde pela CET por ter ocorrido depois das 10h. O horário de pico considerado pela empresa é das 7h às 10h.

PIQUETES

Os piquetes, que já tinham ocorrido na noite de quinta, voltaram a acontecer nesta sexta, nas estações Ana Rosa e Bresser. Na primeira, a polícia foi acionada e retirou os manifestantes com bombas de gás e balas de borracha.

Segundo o capitão Snay Nanni, a PM só agiu para garantir que a população tenha acesso ao metrô. "O interesse público deveria prevalecer aos interesses da categoria", disse o Nanni que confirmou o uso de balas de borracha e bombas durante a ação que dispersou grevistas da estação.

"Chegamos às 3h30 para fazer um piquete e acabamos surpreendidos com a entrada da Tropa de Choque, que nos atacou em ambiente fechado. To fazendo 30 anos de Metrô esse ano e olha o que eu ganho [apontando para um ferimento na perna", disse o metroviário José Carlos dos Santos, 54.
Durante a reunião, o Pacheco disse que "pela primeira vez na história do Metrô tivemos policiais dentro de uma estação para retirar grevistas, é um marco na história da companhia".

Fonte: Folha de São Paulo

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