3 de junho de 2014

Alckmin diz que espera bom senso e cooperação para evitar greve do metrô durante a Copa

Alckmin fala sobre segurança para a Copa em São Paulo

O governador do estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, reforçou nesta terça-feira (03), em entrevista à JOVEM PAN que está trabalhando para evitar que os funcionários do Metrô paralisem as operações durante a Copa do Mundo e instaurem o caos no transporte público. Alckmin revelou que espera que haja “bom senso e cooperação” por parte dos metroviários para que a população não seja negativamente afetada.

"Nós estamos fazendo tudo que é possível. Espero que haja bom senso, espírito de cooperação de todos. Isso prejudica a população, prejudica fortemente porque nós transportamos 4,8 milhões de passageiros por dia pelo metrô”, lembrou o mandatário. Ainda de acordo com ele, o Palácio dos Bandeirantes já está em “pleno processo de negociação” e não há razão para greve já que as conversas não estão esgotadas. 

O governador está atento à possibilidade de paralisação de metroviários nesta quinta-feira (05), no entanto, afirmou que não será possível para os milhões de passageiros obter a passagem livre pelas catracas do metropolitano. Ele explicou que, como empresa, o Metrô não teria condições financeiras de fornecer o benefício. “O dinheiro não é meu, o dinheiro é da população, é com esse dinheiro que é pago o salário do metroviário. Então, não pode ter catraca livre, o dinheiro é público”. 

Questionado sobre o investimento estadual em transporte de passageiros via ferrovia, o governador detalhou um projeto que promete integrar as principais cidades de São Paulo. Segundo Alckmin, o estado espera autorização do governo federal para implantar um sistema de mobilidade "intercidades" por meio de trens de média velocidade.

“Nós estamos fazendo um programa intercidades, já pedi ao governo federal. O trem sai de Americana, Campinas, vem para para São Paulo, Santo André até Santos. E oeste-leste sai de Sorocaba, São Roque, São Paulo até Taubaté. Precisamos do lado do trem de carga, o espaço, porque cabem cinco linhas. Já pedimos ao Ministério dos Transportes, se eles nos derem o ok, nós lançamos o edital imediatamente”, contou no Jornal da Manhã.

Alckmin falou ainda sobre a violência no estado envolvendo menores. Os infratores são, tecnicamente, beneficiados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o que motivaria o jovem a cometer infrações outra vez. O governador paulista pensa que é preciso fazer uma reforma no documento prevendo, justamente, mais rigor para aquele que voltam a agir fora da lei.

“[O estatuto] Não muda porque é legislação federal, alguns são contra e, também, o status quo, a lei da inércia. Há um grande tabu com a questão do ECA, é uma boa lei para proteger a criança, o adolescentes, estabelecer os seus direitos, mas não dá resposta para o reincidente grave. Então, o reicindente grave não passa três anos presos e sai com a ficha limpa”, analisou.

O governador, portanto, contou aos ouvintes da JOVEM PAN que já foi a Brasília levar por escrito, ao presidente da Câmara Federal, Henrique Alves (PMDB-RN) uma proposta de mudança. E o deputado federal Carlos Sampaio (PSDB-SP) entrou com o projeto de lei. "Está tudo pronto para ser votado, mas não vota”, pontuou.

Indagado sobre o número de roubos em São Paulo, o governador tratou de explicar a situação da violência como um todo. Ele reforçou a importância de se trabalhar para diminuir os casos de roubo, assim como está sendo feito com os de homicídio. Porém, chamou atenção para um trabalho mais incisivo contra o latrocínio, que geralmente está ligado ao roubo de carros.

“Nós estamos fazendo um esforço enorme na redução de roubo e furto de automóvel, então, cria primeiro “fechamento de desmanche”. Neste mês de junho, entra em vigência a lei, vai poder saber cidade por cidade na internet se tem algum desmanche legalizado. Nós vamos fechar os desmanches”, disse.

A atuação do crime organizado também preocupa o governo do estado. De acordo com Alckmin, existe um trabalho constante para diminuir o poder de facções criminosas em São Paulo:  “Crime organizado é uma luta permanente. Você nunca vai poder dizer resolveu, acabou”.

E continuou: “Nós temos 216 mil presos, nós temos 22% da população brasileira e 38% da população carcerária, é o estado que mais trabalha, mais prende, mais tira criminoso da rua. É evidente que em qualquer lugar que tenha três pessoas tem organização. Tem que combater permanentemente e investigar”.
Ainda sobre a violência, Alckmin disse que durante a Copa do Mundo a polícia paulista e o contingente do exército, cedido pelo governo federal, estão preparados para manter a ordem. “A presidenta Dilma ofereceu aos estados ter as Forças Armadas, nós agradecemos e aceitamos. O comando é da Polícia Militar, mas é sempre bem-vindo o reforço das Forças Armadas quanto da Polícia Federal”.

Sobre as declarações do ex-jogador de futebol Ronaldo, de que a polícia deveria agredir fisicamente vândalos durante as manifestações, o mandatário paulista explicou que é preciso respeitar os protestos e que o estado de São Paulo investiu em infra-estrutura para que, de fato, exista um legado da Copa para a população.

“Manifestação é legítima e nós temos que respeitá-la e até garantir a segurança dos que fazem manifestação. Nós temos 12 estádios no Brasil, nove são dinheiro público e três são privados. São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. E no caso de São Paulo, não tem um centavo nem para a festa de abertura. Nós temos obras para a cidade, Radial Leste, o Mergulhão (...) São obras para uma região de 4,5 milhões de pessoas”, contou.

A falta de água no estado também foi analisada por Alckmin nos estúdios da JOVEM PAN. O governador explicou que a situação de seca é atípica e tem ocorrido em outras partes do mundo. Além disso, a região metropolitana está localizada em uma região em que obter é água é uma tarefa mais trabalhosa por não ter um rio volumoso por perto, por exemplo.

“Nós tivemos uma seca que é raríssima, coisa de 100 em 100 anos. Aliás, não só aqui. Tivemos na California, Austrália, Chile. E veja essas mudanças climáticas, ao mesmo tempo que no sudeste não choveu, dezembro, janeiro, fevereiro, março, lá no norte em Rondônia, no Rio Madeira, tudo debaixo água. Excesso de seca, excesso de chuva. Nós temos 22 milhões de pessoas, aqui é 700 metros de altitude e vamos buscar água em Minas Gerais”.

Ao falar das providências para minimizar o impacto da crise, Alckmin detalhou o plano de abastecimento do governo. “Nós temos seis sistemas de água em São Paulo, o Cantareira, que é o maior, Alto Tietê, Guarapiranga, Alto Cotia, Baixo Cotia e o Rio Grande. Uma parte do Guarapiranga atendeu a zona sul, uma parte do Alto Tietê a zona leste e nós conseguimos suprir 1,6 milhão de pessoas sem o Cantareira. Vamos chegar até setembro a 2,1 milhões de pessoas que estarão sendo abastecidas por outros sistemas”.  

O tucano falou também sobre a manutenção da tarifa do metrô neste ano, a multa para quem disperdiça água, a eleição para o governo do estado e a sinalização para turistas que chegam em Itaquera para a Copa do Mundo. Ouça no áudio com os jornalistas JOVEM PAN Anchieta Filho, Thiago Uberreich, Luis Carlos Quartarollo e Joseval Peixoto.

Por Jovem Pan
fonte: Nathália Rodrigues/JOVEM PAN ONLINE 
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