16 de maio de 2014

Entrega do primeiro trecho de monotrilho de SP pode ficar para junho

Governo responsabiliza a canadense Bombardier, fabricante de trens do ramal

Pela terceira vez no ano, a entrega do primeiro trecho de monotrilho da cidade de São Paulo poderá atrasar e ocorrer em junho, e não neste mês, conforme a última promessa da gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

Agora, o governo responsabiliza a fabricante dos trens do ramal, que funcionará na zona leste da capital paulista. Trata-se da canadense Bombardier, responsável também pela sinalização da Estação Adolfo Pinheiro, na zona sul, inaugurada há três meses e que ainda funciona em horário restrito por causa de testes.

A gestão tucana informa já ter aplicado R$ 10,1 milhões em multas à empresa somente pela demora na entrega dos quatro primeiros trens para a Linha 15-Prata, de monotrilho. São cerca de R$ 2,5 milhões por composição. As sanções podem aumentar caso esse ritmo se mantenha para os demais 50 veículos comprados para essa linha.

É o que admitiu o secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, em um evento na última terça-feira, 13, na Estação Domingos de Moraes, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), na zona oeste. O dirigente ainda reclamou das atitudes da empresa, que estaria dando menos importância do que o necessário para a inauguração do ramal.

"Eu acho que eles (Bombardier) têm que trabalhar em três turnos. Não há necessidade de trabalhar em um turno só. Então, queremos saber deles que empenho podem fazer de aumentar fortemente a dose de trabalho, trazer mais técnicos do Canadá e realmente colocar (a obra) em dia. As multas são pesadíssimas", declarou Fernandes.

O secretário disse ainda que não quer mais conversar com técnicos do "terceiro e quarto escalão" da Bombardier e que a empresa está "devendo seriíssimas explicações" ao governo do Estado. Segundo Fernandes, os testes para a operação dos primeiros trens, que são movidos sem condutor, estão demorando mais do que o previsto. São necessárias 300 horas de teste antes de a via ser liberada.

"Dentro do pátio (de trens) Oratório, existe um galpão, que tem iluminação, então (a empresa) pode trabalhar à noite. Dentro desse galpão não chove. Neve no Brasil não tem, como no Canadá. Então não há motivo para ter um turno (de trabalho). Dois turnos é pouco, tem que ser três turnos", cobrou ele.

Inicialmente, a administração Alckmin pretendia inaugurar o primeiro trecho, de 2,9 km, da Linha 15, entre as Estações Vila Prudente e Oratório, no fim do ano passado, o que não foi concretizado. Em seguida, o governo prometeu a abertura para janeiro, depois março e, em seguida, o fim de maio.

Mas nesta terça, Fernandes considerou a possibilidade de a inauguração só ocorrer em junho, ou seja, no mês anterior à proibição de entrega de obras públicas por autoridades do Executivo que concorrerão à reeleição, provável caso de Alckmin - o impedimento é a partir do dia 5 de julho, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

'Tupiniquim'. Segundo o secretário Jurandir Fernandes, a Estação Adolfo Pinheiro, inaugurada em 12 de fevereiro na Linha 5-Lilás, ainda só funciona em horário restrito - das 9h às 16h - em decorrência de atrasos da Bombardier, que responde pelo sistema de sinalização dos trens daquela parada. Ele fez uma alusão a "tribos" para comentar o assunto.

"A Bombardier também está com dificuldades na Adolfo Pinheiro. O que é preciso é que essas grandes empresas mundiais saibam que aqui o volume de compras e de implantação não é tribal, isso aqui não é um país tupiniquim. Não estamos tratando de coisa pequena."

Outro lado. Em nota, a Bombardier lamentou os atrasos e explicou que "ambos os projetos são complexos e envolvem outras companhias além da Bombardier". A empresa disse ainda que "faz o máximo para respeitar o cronograma de fornecimento dos escopos pelos quais é responsável".


Caio do Valle - O Estado de S. Paulo
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