9 de junho de 2013

Em defesa da tarifa zero

Lúcio Gregori, ex-secretário de Transportes de São Paulo, fala ao Mobilize Brasil sobre a proposta do transporte público 100% subsidiado

"O transporte deveria ser gratuito porque as pessoas saem de casa para trabalhar, estudar, enfim, para movimentar a máquina que gera riqueza e faz com que as cidades possam ser mantidas."

Depois de vários protestos em capitais de todo o país e um dia após as manifestações contra o aumento da tarifa do transporte coletivo em São Paulo, fomos conversar com o engenheiro Lúcio Gregori, que foi secretário de Transportes de São Paulo durante a gestão de Luiza Erundina, nos anos 1990, quando elaborou o projeto "Tarifa Zero" para o transporte público municipal. Leia a seguir a entrevista:


Tarifa Zero é possível?
A ideia do transporte público gratuito é tão possível quanto a da escola pública gratuita, da saúde pública gratuita, da segurança pública, da coleta de lixo e de uma série de serviços que são pagos pelas prefeituras, com nossos impostos. O problema no Brasil é que o transporte público se tornou um negócio tão rentável e poderoso que é quase intocável.

Há exemplos de transporte gratuito em outros países?
Quando elaborei o projeto para São Paulo descobri que apenas nos Estados Unidos existem ao menos 35 cidades, todas elas com mais de 200 mil habitantes, que já adotavam o transporte inteiramente subsidiado antes de 1990.

Em Hasselt, cidade com mais de 400 mil habitantes, na Bélgica, o transporte gratuito foi adotado em 1994 e desde então houve um aumento de 1000% na demanda. Daí a prefeitura de lá deixou de investir em uma série de obras, como anéis rodoviários, túneis e viadutos e alocou esses recursos na expansão do transporte público. Em Talim, na Estônia, o transporte já tinha um subsídio de 70% e recentemente, depois de um plebiscito, a cidade adotou a tarifa zero.

E no Brasil?
Pelo menos três cidades brasileiras - Ivaiporã, no Paraná; Porto Real, no Rio de Janeiro e mais uma cidade de Minas Gerais, que não me ocorre agora  - já adotaram a gratuidade do transporte. Em São Paulo, a cidade de Paulínia tinha tarifa zero até 1990.

Qual seria a tarifa justa?
O transporte deveria ser gratuito porque as pessoas saem de casa para trabalhar, estudar, enfim, para movimentar a máquina que gera riqueza e faz com que as cidades possam ser mantidas. O transporte é uma atividade econômica como qualquer outra, que tem seus custos, assim como a educação, a limpeza pública, a segurança. O grande peso, no caso dos ônibus, é o da mão de obra (60%). Além disso, tem que remunerar o capital do empresário. A questão central é "Quem paga por isso?".

Quem paga?
Em outros países, a maior parte é paga pelo poder público. No Brasil, o subsídio é baixíssimo, cerca de 12%, quando em outros países chega a 70%. Daí que o transporte coletivo é caríssimo frente ao transporte individual e isso explica o uso tão intenso de carros e motos nas cidades brasileiras.

Por que a proposta da tarifa zero não deu certo em São Paulo?
Na época, nós fizemos um estudo sobre os custos e propusemos um aumento nos impostos para subsidiar o transporte. Uma pesquisa realizada pela prefeitura em 1990 mostrou que a maior parte da população havia compreendido a proposta e estava de acordo. O problema é que a Câmara Municipal decidiu não discutir a proposta, apesar da aprovação da sociedade. Nas discussões, notamos que os vereadores das comissões que avaliaram o projeto somente discutiam os itens que eram de interesse das empresas do setor, o que revelou uma influência forte dos empresários de transporte dentro do Legislativo.

O que o senhor acha das manifestações contra o aumento da tarifa?
Elas são a expressão de uma disputa política. E como em toda disputa política, há alguns setores no governo, na imprensa, que vão fazer o jogo dos empresários.

http://www.mobilize.org.br
 FonteMobilize Brasil
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário:

As notícias veiculadas acima, na forma de clipping, são acompanhadas dos respectivos créditos quanto ao veículo e ao autor, não sendo de responsabilidade do blog Diário da CPTM.
Observações:

  • Último trem do terminal de Jundiaí para Francisco Morato tem partida programada às 23h30.
  • A transferência entre linhas é garantida desde que o usuário esteja em sua última estação de transferência até as 00h. Para mais informações, confira o Regulamento de Viagem. ​​​​
De domingo a 6ª feira, das 4h à meia-noite, e aos sábados das 4h à 1h (sentido único, do centro de São Paulo para os bairros e municípios da Região Metropolitana).

Apartamento em Francisco Morato finaciado pela Caixa

Apartamento em Francisco Morato finaciado pela Caixa
ÚNICO DA REGIÃO ENTREGUE TOTALMENTE ACABADO, COM PISO EM TODAS AS ÁREAS ✅ ESCRITURA GRÁTIS! 💥 APARTAMENTOS LOCALIZADOS A 1,8 KM DA ESTAÇÃO BALTAZAR FIDÉLIS 💥 Se você: ✅ Trabalha registrado ✅ Possui renda familiar de R$ 2200 ou mais ✅ Possuis FGTS Não perca mais tempo, saiba que você possui um excelente potencial de financiamento e não pode deixar essa oportunidade escapar! SUA OPORTUNIDADE CHEGOU ✅ 1 Vaga ✅ Condomínio com portaria 24hs. ✅ Piscina ✅ Salão de Festas ✅ Churrasqueira ✅ Quadra ✅ Playground ✅ Plantas de 46 e 46 M². O único da região que entrega totalmente acabado e pronto para morar ***Use seu FGTS *** Financiamento Caixa Econômica Federal *** Entrega garantida pela Caixa prevista para maio de 2019. Localização Município: Francisco Morato CEP do imóvel: 07996-005 Bairro: Res São Luis VISITAS SOMENTE COM AGENDAMENTO PRÉVIO Fale com agora mesmo no telefone ou WhatsApp com: RICARDO - 11-987405205