5 de abril de 2013

Tarsila e Lina farão túneis para o Metrô de SP


No próximo dia 25, uma quinta-feira, "Tarsila" chegará ao Porto de São Sebastião, no litoral norte do Estado. Pesando cerca de 630 toneladas e medindo 6,9 metros de diâmetro, ela será uma das duas "artistas" que vão construir os túneis da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo, que ligará Santo Amaro à Chácara Klabin, na zona sul da cidade.
"Tarsila" e "Lina" são os nomes que os engenheiros da Companhia do Metropolitano deram aos shields que escavam os túneis. Os equipamentos, também conhecidos por aqui como "tatuzões" (desta vez, tatuzetes, segundo o próprio Metrô) estão neste momento cruzando o Oceano Atlântico, vindos do Porto de Antuérpia, na Bélgica. Os nomes são em homenagem à pintora Tarsila do Amaral e à arquiteta Lina Bo Bardi. O barco que traz Lina chega em maio.
As duas vão se juntar a um terceiro tatuzão, que já está na cidade. Embora não tenha sido batizado com nome de artista, ele já tem uma obra "assinada": o túnel da Linha 4-Amarela, que hoje liga o Butantã, na zona oeste, à Luz, no centro. A máquina, que teve parte dos equipamentos trocados por causa do uso, é a mesma que fez a linha mais nova da cidade. Ele é maior: tem 10,5 metros de diâmetro e pesa 1.800 toneladas.
Será a primeira vez que três equipamentos do tipo estarão em operação simultânea na cidade. As máquinas, "xodós" dos engenheiros do Metrô, são admiradas pelos técnicos por causa da praticidade. Ao mesmo tempo que as gigantescas brocas vão cavando os túneis, o restante da estrutura das máquinas já vai fixando as placas de concreto que darão sustentação aos túneis, o que torna a obra muito mais rápida. E pressa é a palavra de ordem na construção dessa linha, cuja promessa original era que ficasse pronta até 2012.
Além disso, a máquina ameniza o "inferno" que é o subterrâneo: os túneis são úmidos, abafados e a diferença de pressão entre o nível do solo e a área de escavação piora ainda mais o ambiente. "Antigamente, para escavar um túnel, nós e os operários precisávamos passar por uma câmara de descompressão, às vezes alguém ficava até surdo", conta Luís Bastos Lemos, gerente do empreendimento da Linha 5. Com os shields, apenas uma pequena parte da obra, à frente das brocas, tem a pressão atmosférica diferente do nível do solo.
Além disso, os tatuzões dispensam o uso de explosões para abertura dos túneis, algo complicadíssimo de ser feito em uma área urbana como a capital.
Planejamento. As tatuzetes vão chegar por São Sebastião porque é o porto mais adaptado para equipamentos desse tipo; várias megamáquinas já entraram por ali. Outra vantagem é que o caminho para São Paulo não inclui túneis. Os equipamentos chegaram ao Porto de Antuérpia de trem. As máquinas foram fabricadas na Alemanha, pela empresa Herrenknecht. O trajeto entre o litoral e a capital será feito de caminhão.
A logística trabalhosa não é só no transporte. Cada shield vem em seis contêineres, e a montagem dura três meses. As paredes de concreto dos túneis, que saem de uma fábrica montada em um canteiro próximo da Estação Santo Amaro, são fabricadas, empilhadas, transportadas e montadas seguindo uma ordem numérica preestabelecida: quando uma é feita, os gerentes da obra sabem exatamente onde será fixada, em um processo controlado por computador. São 11 km de placas, cada uma tem 1,5 metro de largura.
Obras. O projeto da Linha 5 prevê que o trecho entre a Estação Adolfo Pinheiro, já em obras, e a futura Estação Eucaliptos, em frente ao Shopping Ibirapuera, será feito em um único túnel - aí a razão do tatuzão maior. Dali em diante, até Chácara Klabin, serão dois túneis, um para cada sentido do trem. Trabalho para as duas tatuzetes.
A promessa é entregar o prolongamento da Linha 5-Lilás em 2015. É a aposta do Metrô para aliviar as superlotadas Linha 4-Amarela e Linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), além de facilitar a vida de quem mora na zona sul.
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